Setor de telecom define agenda convergente para 2026 com foco em organização, investimentos e inclusão digital

Em encontro organizado pelo portal Teletime, Conexis, Anatel e Ministério das Comunicações alinharam prioridades que vão do combate à concorrência desleal aos leilões de espectro

Brasília, 24/02/26 – O presidente-executivo da Conexis Brasil Digital, Marcos Ferrari, abriu o Seminário Políticas de Comunicações, realizado na terça-feira (24), em Brasília, defendendo uma agenda de organização setorial como condição para ampliar investimentos e garantir qualidade dos serviços em 2026. Entre as prioridades elencadas estão o combate à concorrência desleal, a regulamentação do uso dos postes, a renovação do Fust Direto, o enfrentamento aos roubos e furtos de cabos e à restrição de acesso em áreas urbanas dominadas pelo crime organizado. “Organizar o setor é proteger o serviço, o trabalhador e o consumidor”, afirmou.

Ferrari também ressaltou no encontro, organizado pelo portal Teletime em parceria com o Centro de Políticas, Direito, Economia e Tecnologias das Comunicações da UnB, que a regulamentação do uso dos postes é peça-chave para a expansão eficiente das redes de telecomunicações. Apontou ainda a renovação do modelo de aplicação direta de recursos do Fust como instrumento ágil para viabilizar projetos de conectividade e acelerar investimentos. Ao tratar da segurança, alertou tanto para os furtos de cabos quanto para ações que impedem que equipes de prestação de serviços das operadoras acessem as áreas de prestação de serviço, defendendo atuação coordenada entre empresas, regulador, governo e Parlamento.

Ferrari defendeu “pulso firme” contra prestadores ilegais e irregulares, que, segundo ele, precarizam serviços e relações de trabalho. A pauta foi reforçada pelo presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Carlos Baigorri, que destacou como prioridade a implementação do plano de combate à concorrência desleal. “A proteção do trabalhador e a garantia de um ambiente competitivo justo, onde a concorrência se dá por eficiência e qualidade, é algo que é bom para todos nós”, afirmou, sinalizando que a agência não recuará na exigência de cumprimento das regras técnicas, tributárias e trabalhistas.

Baigorri também apresentou a agenda regulatória para 2026, com ênfase nos leilões de radiofrequência – incluindo a faixa de 700 MHz, voltada ao 4G, e a consulta pública da faixa de 6 GHz, estratégica para o 5G e para a evolução ao 6G. “O modelo brasileiro de leilões não arrecadatórios, com contrapartidas de investimento em cobertura e infraestrutura, deve gerar cerca de R$ 2 bilhões em aportes nos próximos anos”, disse. O presidente da Anatel ainda apontou o mercado satelital e a conectividade direta ao dispositivo (D2D) como fronteiras de inovação e ampliação de cobertura.

Na mesma linha de execução e entrega, o secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Hermano Tercius, afirmou que 2026 será o “ano da colheita”. Ele destacou o avanço do programa Escolas Conectadas – com mais de 98 mil unidades já atendidas – e a meta de conectar as cerca de 40 mil restantes até o fim do ano. Também ressaltou a consolidação do fim das concessões de telefonia fixa, a iminente Política Nacional de Conectividade de Rodovias, além das políticas de cabos submarinos, data centers (Redata), o Plano Nacional de Inclusão Digital e o Plano Nacional de Satélite.

O encontro evidenciou convergência entre setor, regulador e governo: “Fortalecer as telecomunicações brasileiras passa por organização de mercado, segurança jurídica, ampliação de investimentos e execução coordenada de políticas públicas”, resumiu Marcos Ferrari. Também participaram da abertura do Seminário o presidente-executivo da Associação NEO, Rodrigo Shuch; o presidente-executivo da Abert, Cristiano Flores; e o diretor de Relações Institucionais da Associação InternetSul, Fábio Badra. O painel foi mediado pelo jornalista Samuel Possebon.

Sobre a Conexis A Conexis Brasil Digital reúne as empresas de telecomunicações e de conectividade, que são a plataforma da economia digital, da sustentabilidade e da conexão de todos os brasileiros. A Conexis, dentro de um movimento de transformação digital pelo qual o mundo está passando, vem substituir a marca do SindiTelebrasil, reforçando o propósito do setor de telecomunicações de digitalizar o País e de conectar todos os brasileiros.

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