Painel Telebrasil 2026: Satélites e D2D levantam debate sobre inclusão digital e regulamentação no Brasil

Painel Telebrasil 2026 discutiu integração entre redes terrestres e satelitais, inclusão digital, soberania e os avanços do direct-to-device no País.

Brasília, 20/05/26 – A integração entre redes móveis tradicionais e infraestrutura satelital deve transformar a conectividade nos próximos anos e ampliar a cobertura em regiões ainda desassistidas do País. Também traz para a mesa discussões sobre regulamentações específicas e soberania no setor de satélites. Estes foram alguns dos tópicos tratados durante o painel “Abrasat: Satélites na ampliação da cobertura”, realizado no Painel Telebrasil 2026. Mauro Wajnberg, presidente da Abrasat, abriu a conversa destacando que o setor vive um momento de forte transformação, impulsionado pela chegada de novos modelos de negócio e pela evolução do direct-to-device (D2D), tecnologia que permite conexão via satélite diretamente no celular.

O presidente da Anatel, Carlos Baigorri, concordou com o executivo ao afirmar que o potencial do D2D para o Brasil é indiscutível, principalmente diante das dimensões territoriais do país e dos desafios de cobertura em áreas remotas. Segundo ele, a tendência é de convergência cada vez maior entre redes terrestres e não terrestres. “Em cinco anos, teremos uma integração total dessas redes”, assegurou.

Baigorri também defendeu uma abordagem regulatória mais flexível para permitir a evolução tecnológica. “Não podemos é matar a tecnologia a partir de uma concepção regulatória pré-existente”, disse. Ele destacou a existência de sandboxes regulatórios para acelerar e garantir mais eficiência nas regulações e explicou que seria injusto aplicar aos novos entrantes satelitais as mesmas regras de operadoras já estabelecidas há tempos, ainda que operem conjuntamente.

A chegada da AST SpaceMobile ao mercado brasileiro foi outro tema de destaque no painel. Rodrigo Gebrim, head de Estratégia Internacional e Assuntos Regulatórios da companhia, foi um dos painelistas. Ele afirmou que o modelo da companhia é baseado em parcerias com operadoras móveis para complementar a cobertura tradicional em áreas onde a expansão terrestre não é economicamente viável. “A mensagem é que estamos no caminho para encerrar a questão do abismo digital”, afirmou. Segundo ele, a tecnologia permitirá conexão diretamente no smartphone, de forma transparente para o usuário, com velocidades que podem chegar a 150 Mbps (equivalente a 4G e até 5G, em alguns casos).

Representando o setor público, o diretor de Políticas Regulatórias do Ministério das Comunicações, Juliano Stanzani, destacou que o governo vê o satélite como uma alternativa importante para ampliar políticas de inclusão digital e garantir conectividade em localidades afastadas. “A preocupação central do governo hoje é a inclusão digital”, ressaltou. Para ele, o uso combinado de diferentes tecnologias será essencial para conectar escolas, rodovias, áreas de preservação ambiental e regiões isoladas. Stanzani também elogiou a atuação da Anatel na criação de ambientes regulatórios experimentais, como o sandbox regulatório para D2D.

Além da inclusão digital, soberania e segurança também apareceram entre os temas do debate. Baigorri demonstrou preocupação com a crescente verticalização global do setor espacial e com a necessidade de garantir que empresas internacionais cumpram as regras brasileiras. Já Gebrim afirmou que a AST pretende utilizar gateways locais para assegurar aderência integral à legislação nacional.

Os participantes ainda defenderam que o satélite deixará de ocupar um papel complementar para se tornar parte estrutural da infraestrutura de telecomunicações, especialmente em um cenário de expansão da inteligência artificial e da conectividade.

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