
Painel ABR Security Summit reuniu especialistas para debater a transformação digital e as vulnerabilidades aos ataques cibernéticos. Foi unânime a constatação de que o Brasil precisa acelerar as ações coordenadas de cibersegurança.
Brasília, 20/05/26 – O Brasil precisa acelerar, e muito, as ações de cibersegurança, concordaram os especialistas que participaram do Painel ABR Security Summer, organizado pela ABR Telecom dentro do Painel Telebrasil 2026. O head de cibersegurança da HCLTech, Ítalo Teixeira, sustentou que telecom é a espinha dorsal da cibersegurança nacional e revelou preocupação com o fato de os ataques cibernéticos estarem mais rápidos, mais complexos e em grande escala. A situação se agrava com a massificação da inteligência artificial. “Apenas 13% das empresas da América Latina estão preparadas para ataques cibernéticos, e a cadeia de suprimentos é o ponto mais vulnerável”, revelou.
O presidente da ABR Telecom, Abraão Balbino, mediador do debate, observou a necessidade de se criar uma iniciativa nacional de cibersegurança para se ter um ambiente resiliente aos ataques hackers, posição compartilhada pelo assessor especial do GSI Marcelo Malagutti. Para ele, falta uma coordenação nacional para tratar cibersegurança com a prioridade que o tema merece.
“Há iniciativas setoriais, mas falta uma coordenação. O Brasil não é um estado monolítico e não vai ter como fechar suas fronteiras digitais. Na verdade, cibersegurança tinha de ser classificada como um serviço essencial e estar na Constituição”, preconizou. Lembrou que o GSI realizou uma simulação nacional de um ataque que deixava apenas 30% da internet funcionando. “Vários serviços seriam paralisados, entre eles, o PIX, que consome 20% da capacidade da rede de telecom e internet. E, claro, isso seria muito complicado”, detalhou.
Malagutti insistiu que a cibersergurança não é do governo A ou B, mas sim de Estado, e assim todo o ecossistema produtivo deveria tratar o tema. Gustavo Borges, superintendente-executivo da Anatel, concordou com a mobilização do ecossistema produtivo e advertiu que o Brasil está atrasado no tema governança da cibersegurança. Isso porque, até o momento, o País não possui um Marco Legal de Cibersegurança.
“Estamos ficando para trás não de países como EUA e China, mas de Portugal, do Chile, do Uruguai, que já definiram uma referência para cibersegurança. A economia no mundo mudou. Só se fala de inteligência artificial e tudo ficou digital. O Brasil precisa agir”, ressaltou.
Todos os participantes do painel destacaram a relevância da audiência pública no Senado Federal, no dia 16 de junho, que irá discutir o PL 4.752/2025, que cria o Marco Legal de Cibersegurança no Brasil. A expectativa é que o PL seja aprovado e encaminhado à Câmara dos Deputados para aprovação ainda em 2026.
Do ponto de vista de tecnologia, o hype da inteligência artificial é uma realidade, mas está longe de ser o único ponto de vulnerabilidade de cibersegurança. Temas como computação quântica e computação de borda exigem atenção redobrada, observou o assessor especial do GSI. E aqui surgiu um ponto de dúvida. O governo determinou que a IA será regulada pela ANPD, e o GSI defende que a cibersegurança – já que não há condições e tempo para montar uma agência específica – fique sob a supervisão da Anatel. O superintendente-executivo, Gustavo Borges, reiterou o desejo de a agência assumir a cibersegurança. “Será um desafio, mas estamos preparados. Temos corpo técnico e maturidade”, destacou.
O CISO da ABR Telecom, Raul Vilela, revelou que a entidade quer ser a coordenadora das ações de cibersergurança do setor de telecom e defendeu uma harmonização das ações. “Temos de ter uma coordenação no setor. Telecom é uma infraestrutura central na soberania brasileira”, reforçou. A mesma posição é defendida pelo presidente da entidade, Abraão Balbino. “Cibersegurança é transversal a todos os ambientes regulados e exige coordenação e harmonização das ações”, concluiu.