Painel Telebrasil 2026: União Europeia quer ampliar parcerias em infraestrutura digital com o Brasil

Painel organizado pela delegação europeia no Brasil, Telebrasil e GIZ comemorou o acordo Mercosul e Comunidade Europeia como viabilizador de novas parcerias comerciais.

Brasília 20/05/26 – Ao abrir o Painel União Europeia, realizado durante o Painel Telebrasil 2026, o chefe de cooperação da União Europeia no Brasil, Robert Stinlechner, comemorou a assinatura, depois de 26 anos de espera, do acordo comercial União Europeia e Mercosul. Ele disse que a demora, que trouxe angústia, pode agora trazer pontos benéficos, uma vez que a geopolítica mundial mudou e há grandes oportunidades de novos negócios, em especial, na infraestrutura digital.

A diretora de transformação digital e inovação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Cristiane Rauen, afirmou que as parcerias são alvo do governo brasileiro e ressaltou o papel dos dados como ativo comercial. “Hoje os dados são ativos estratégicos e temos de encontrar modelos para permitir o compartilhamento entre empresas, sem ferir a proteção de dados pessoais. Estamos trabalhando para ficar à frente do uso de dados compartilhados empresariais.”

Um passo importante para isso será consolidar a Política Nacional de Economia de Dados ainda em 2026, mesmo diante do cenário de eleições gerais. “Queremos usar os data spaces. Hoje, mais de 80% das empresas não conseguem fazer esse compartilhamento e dado, hoje, rende negócio”, adicionou.

A executiva do MDIC revelou ainda que o momento é de revisão da política Nova Indústria Brasil (NIB). A meta de atingir 25% de digitalização para as empresas foi atingida e, agora, a nova marca é chegar a 50% até o final deste ano. “A maior parte da busca pelos recursos da NIB – cerca de R$ 300 bilhões – destinou-se ao fomento na aquisição de IA, ERP/CRM, robôs industriais e big data. Sabemos que usar essas tecnologias significa avançar na digitalização”, pontuou Cristiane Rauen.

A diretora de relações governamentais LATA South na Ericsson, Jacqueline Lopes, corroborou que parcerias são essenciais. Ela lembrou que, em fevereiro, a Ericsson se uniu à Trust Tech Alliance, com outras 14 empresas de mais de 10 países, para tratar de soberania digital e armazenamento de dados. “Não há uma única empresa, nenhum país que possa fazer inovação sozinho. Tem de ter colaboração, integrada e confiável. As empresas se uniram para aproveitar a onda de inovação”, observou.

Maior investidor europeu no Brasil, a Telefônica sabe que criar valor local é essencial para o sucesso do negócio, afirmou o diretor institucional da Vivo, Tiago Machado. Segundo ele, o Brasil não carece de infraestrutura, mas tem outras carências, e dá como exemplo o próprio 5G. Machado diz que 70% do continente brasileiro já é coberto pelo 5G, mas apenas 30% dos brasileiros o usam. “A verdade é que há barreiras de acesso ao 5G por causa do custo do smartphone, em torno de um salário-mínimo. Temos de 20 a 40 milhões de brasileiros impossibilitados de usar o 5G por falta de dinheiro. A inclusão social e digital é muito necessária”, pontuou o executivo da Vivo.

Ao encerrar o painel, Robert Stinlechner reforçou a intenção da União Europeia de avançar com o diálogo e lembrou que há editais de colaboração disponíveis para verbas e pilotos. Entre os temas estão inteligência artificial e energia. Ressaltou ainda a relevância da construção da rede de computação de alto desempenho entre Europa e América Latina. “Temos muito por fazer e queremos fazer”, finalizou.

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