Painel Telebrasil 2026: Sustentabilidade na era da IA exige nova lógica regulatória e modelos de negócio

Painel no segundo dia do evento discutiu assimetrias regulatórias, tokenização, neutralidade de rede e os desafios econômicos da infraestrutura de conectividade.

Brasília, 20/05/26 – A sustentabilidade econômica da infraestrutura de conectividade diante do avanço da inteligência artificial esteve no centro dos debates do segundo dia do Painel Telebrasil 2026, realizado em Brasília, nos dias 19 e 20 de maio. Painel sobre o tema reuniu representantes da indústria, reguladores e especialistas para discutir como redes, modelos de negócio e regulação precisarão evoluir para apoiar a próxima onda de transformação digital. Na abertura da discussão, o presidente-executivo da Telebrasil e moderador do painel, Marcos Ferrari, destacou que o setor vive um momento de inflexão tecnológica que exige novas formas de pensar infraestrutura, investimentos e geração de valor.

A necessidade de uma regulação mais integrada foi um dos principais consensos entre os debatedores. Sócio da GO Associados, Gesner Oliveira afirmou que a convergência tecnológica já aconteceu, mas a regulação segue fragmentada. “A tecnologia está toda convergente e integrada, e a regulação absolutamente fragmentada”, pontuou. Segundo ele, setores como telecomunicações, energia e transportes continuam sendo tratados em silos, apesar da crescente integração digital. Diretor regional da Asiet, Pablo Garcia reforçou a necessidade de um regulador mais voltado ao ecossistema digital como um todo. “Sem redes com capacidade e cobertura suficientes, não será possível cumprir a promessa da transformação digital”, observou.

Representando a Anatel, o conselheiro substituto Nilo Pasquali reconheceu que o atual marco legal do setor foi concebido em um contexto muito diferente do atual. “Estamos operando sob uma legislação de 1997 que não previa esse cenário de convergência, ainda que a LGT tenha sido muito visionária à época”, afirmou. De acordo com ele, a agência busca compreender as novas dinâmicas competitivas entre operadoras, plataformas digitais e provedores de infraestrutura. Pasquali também defendeu definições mais claras sobre governança e regulamentação da inteligência artificial. “O debate sem fim não ajuda ninguém”, disse, acrescentando esperar que o ideal é que decisões sejam tomadas no próximo ano a ano e meio.

O impacto econômico dos investimentos em conectividade também foi amplamente discutido. Diretor de Políticas Públicas e Competição da TIM Brasil, Marcelo Mejias ressaltou que as operadoras enfrentam dificuldades para monetizar os investimentos realizados em infraestrutura. “Hoje não conseguimos precificar a rede em que investimos.” Para ele, a sustentabilidade do setor dependerá da construção de novos modelos econômicos e de uma discussão mais ampla sobre assimetrias regulatórias.

Mejias também fez um alerta sobre os riscos de interpretações excessivamente rígidas da neutralidade de rede. Segundo ele, o conceito não pode impedir a criação de novos modelos comerciais ou serviços diferenciados baseados em qualidade de conectividade. “Não posso transformar a neutralidade de rede em paralisia de modelo comercial”, afirmou, citando aplicações futuras como carros autônomos e serviços críticos conectados. Nilo Pasquali concordou que o conceito muitas vezes é aplicado de forma equivocada e afirmou que o País precisa evitar que inseguranças regulatórias travem o desenvolvimento de novos serviços digitais.

Na visão de Igor Freitas, consultor e ex-conselheiro da Anatel, o setor de telecomunicações passará por uma mudança estrutural nos próximos anos. “O business vai deixar de ser só transporte”, destacou. Segundo ele, a lógica econômica tende a migrar para modelos baseados em processamento distribuído, reserva de capacidade e tokenização de ativos digitais. Rodrigo Weber, CT Head da Nokia, acrescentou que a inteligência artificial exigirá automação crescente em todas as camadas da rede. “O uso de agentes de IA será vital para produtividade, eficiência e segurança.”

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