Ericsson prevê redes móveis autônomas e automatizadas para sustentar avanço da IA

Segundo a CTO da companhia para a América do Sul, Andrea Faustino, infraestrutura precisará combinar conectividade, autonomia e automação para suportar nova onda de aplicações de IA.

Brasília, 19/05/26 – As redes de telecomunicações estão deixando de ser apenas infraestrutura de conectividade para assumir um papel estratégico no avanço da inteligência artificial. Esta foi a principal mensagem da apresentação de Andrea Faustino, CTO da Ericsson para a América do Sul, durante o Painel Telebrasil 2026. Na palestra “Redes inteligentes: o próximo capítulo da conectividade”, a executiva defendeu que o futuro das operadoras dependerá da capacidade de tornar as redes mais autônomas, programáveis e preparadas para lidar com aplicações de IA em larga escala.

Segundo Andrea, o avanço da IA exigirá uma mudança importante na forma como as redes móveis são planejadas e operadas. Historicamente, explicou, as redes sempre foram dimensionadas priorizando o downlink. Ou seja, a capacidade de entrega de conteúdo ao usuário. Com a popularização da IA, no entanto, o foco migra para o uplink, já que dispositivos e aplicações enviarão volumes muito maiores de dados para processamento em nuvem e em ambientes distribuídos. “Será necessário garantir que as bordas das redes sejam mais robustas”, afirmou.

A executiva destacou que o setor viverá uma convergência entre dois modelos de demanda: de um lado, aplicações massivas de banda larga que exigem eficiência e escala; de outro, aplicações críticas baseadas em IA, que precisarão de baixa latência, maior confiabilidade e desempenho diferenciado. Para ela, o desafio das operadoras será justamente equilibrar esses dois universos. “A conectividade não está em transformar tudo em algo premium, mas em entregar diferenciação de desempenho para gerar valor e garantir serviços críticos”, explicou.

Outro aspecto destacado pela especialista foi a crescente necessidade de automação nas operações de rede. Segundo ela, processos conduzidos exclusivamente por humanos já não conseguirão acompanhar a complexidade e velocidade de adequação exigidas pelas novas aplicações digitais. A evolução passa, portanto, pela construção de redes cada vez mais autônomas, capazes de tomar decisões operacionais de forma inteligente e em tempo real. “Inteligência, automação e autonomia precisam caminhar juntas”, resumiu. Na visão da Ericsson, essa transformação não ocorrerá de forma abrupta, mas em etapas progressivas. A jornada envolve desde processos básicos automatizados até operações totalmente autônomas de ponta a ponta, guiadas por objetivos de negócio e sustentadas por inteligência embarcada na própria arquitetura da rede. O objetivo final é criar infraestruturas capazes de se ajustar dinamicamente às demandas de cada aplicação, garantindo escala, eficiência operacional e suporte ao crescimento acelerado da inteligência artificial. Tudo isso sem deixar de lado aspectos de regulamentação, segurança e governança.

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